Refugiados participam do desfile de Ronaldo Fraga

São milhares os refugiados que chegam ao Brasil procurando uma nova chance! Alguns fogem da guerra, que lhes tirou tudo! Outros fogem de países onde não há perspectiva de vida. Saiba mais como ajudar um refugiado clicando aqui.

Por intermédio de uma associação de apoio a refugiados, a congolesa Fanny-Mudingayl, Ronaldo Fraga convidou os sírios Nour Koeder e Nawras Alhaibi, o senegalês Alassane-Diaw e o palestino Leon Diab para desfilarem no SPFW N41.

Ronaldo é um dos poucos que se conecta com temas relevantes da atualidade ao criar sua moda.

Em sua pesquisa, o estilista identificou que a única parte da cultura que os refugiados traziam consigo eram suas roupas. Ele disse “Nesse lugar, a roupa é país, É pertencimento. É reforço de identidade”.

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Eles falaram a equipe da FFW sobre sua trajetória:

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Nour Koeder, 24 anos, Síria, estilista. Fala português.

Tempo no Brasil: dois anos. “Já viajei para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.”

Motivo da vinda: guerra civil da Síria. “Não dava para morar lá. Eu não tinha trabalho, nem ao menos um lugar para morar. O Brasil foi o único lugar que me abriu as portas. Tinha tentado migrar para alguns países europeus, mas não tive sorte. Como uma tia morava aqui fazia 35 anos, vim para ficar um tempo com ela. Agora moro no Tatuapé.”

O que fazia na Síria: trabalhava como estilista de roupa para festa.

Trabalho no Brasil: desempregado há três meses, já trabalhou em uma fábrica de confecção de jeans no Brás e como vendedor de roupa na feirinha da madrugada.

Uma saudade: dos amigos e da família. “Eles estão espalhados pelo mundo. Meu pai ficou preso na Síria por oito meses e meu irmão mais novo, de 20 anos de idade, foi para a Alemanha pelo mar.”

Um sentimento: esperança. “Quem sabe um dia mostrar minha coleção aqui no SPFW”.

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Nawras Alhaiabi, 33 anos, Síria, jornalista. Fala português.

Tempo no Brasil: quase dois anos.

Motivo da vinda: guerra civil da Síria. “Quando a guerra começou, ficou perigoso viver lá; ou você estava do lado do governo ou da oposição. Primeiro fui para o Líbano e depois para o Brasil. Cheguei triste, deprimido por ter abandonado minha família, minha casa. Não conhecia nada, nem ninguém. Não sabia uma palavra em português. Logo que cheguei fui morar em um hotel no Brás, depois aluguei um quarto para dividir com um refugiado também. Agora vivo com a minha esposa que conheci em uma associação de integração para refugiados aqui em São Paulo. Ela é marroquina e nos casamos aqui faz dez meses.”

O que fazia na Síria: “Me formei em jornalismo, mas trabalhava no Dutty Free em Damasco havia sete anos.”

Trabalho no Brasil: “Minha esposa e eu cozinhamos comida síria e marroquina e vendemos no piquenique que acontece aos fins de semana na Faria Lima. Queremos abrir o nosso restaurante.”

Uma saudade: dos pais. “Falo com eles diariamente”.

Um sentimento: esperança. “A guerra não vai terminar tão cedo. Aposto que dure no mínimo mais cinco anos. Tenho esperanças de conseguir viver e construir minha família aqui no Brasil.”

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Alassane-Diaw, 31 anos, Senegal, comerciante. Não fala português.

Tempo no Brasil: um ano.

Motivo da vinda: “Saí do Senegal porque lá não existe expectativa de vida. Não conseguia ganhar dinheiro e as jornadas de trabalho eram extensas. Moro sozinho na avenida São João, no centro de São Paulo.”

O que fazia no Senegal: “Minha família e eu tínhamos um pequeno comércio.”

Trabalho no Brasil: desempregado. “Desde que cheguei tenho procurado emprego, mas ainda não consegui. Como só falo francês, as coisas ficam mais difíceis.”

Uma saudade: “Minha mulher e minha filha.”

Um sentimento: esperança. “Traze-las para o Brasil também”.

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Leon Diab, 24 anos, Palestina, arquiteto.  Não fala português.

Tempo no Brasil: oito meses.

Motivo da vinda: “Tive de sair do país por causa da Faixa de Gaza. A estrutura para se viver lá é precária. Não tive escolhas. O Brasil apareceu como um lugar que oferece mais facilidades aos refugiados. É relativamente fácil conseguir o visto para ficar aqui, além de ser um país receptivo e com belas paisagens.”

O que fazia na Palestina: “Eu deixei a Palestina logo após o ensino médio e fui viver em Dubai, Milão, fui desbravar o mundo. Sou arquiteto, precisava viajar. Quando decidi voltar para o meu país de origem, me deparei com a situação de Gaza.”

Trabalho no Brasil: “Tenho um escritório de arquitetura e presto serviços para clientes brasileiros e do exterior.”

Uma saudade: “Não tenho. Saí de casa muito cedo, digo que sou uma pessoa do mundo.”

Um sentimento: “Esperança que a situação de Gaza tenha uma solução.”

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Fanny-Mudingayl, 24 anos, Congo, contadora. Não fala português.

Tempo no Brasil: três meses. “Cheguei no começo de 2016.”

Motivo da vinda: “Meu marido já estava aqui em São Paulo e eu desejava outro tipo de vida daquela que tinha no Congo. Moramos nós dois na Vila Matilde.”

O que fazia no Congo: “Fiz faculdade de contabilidade e trabalhava em um supermercado. Mas desde que deixei o emprego, não consegui mais nada.”

Trabalho no Brasil: desempregada. “Está difícil conseguir trabalho. Preciso aprender logo a língua portuguesa, vai me ajudar.”

Uma saudade: “Estou com o meu marido aqui. Então, tá tudo bem.”

Um sentimento: esperança de conseguir um emprego.

 

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